entre linhas
desenhadas de sentido
todos os preciosos atalhos
mapeados
em folhas rascunho
rabiscadas de tentativas
entre linhas
como guias pra perdição
o poder de calar uma história
e recomeçar a caminhar
a mesma estrada
com outros pés
entre linhas
tradução da vontade
palavras reformadas
toda intenção redimida
angústia sufocada
pra se encontrar certeza onde não há
entre linhas
essa falsa direção
Pequeno Rascunho
.fragmentos do que sinto.
3 de fevereiro de 2012
1 de fevereiro de 2012
.de noite, na cama, eu fico pensando.
Quero contigo
ser livre
e livrar-me de todas as amarras
das noites de solidão.
Quero contigo fugir
deixar que alma me escape
numa gota de suor
enquanto te abraço.
Quero engolir-te num beijo
de corpo inteiro
de pele, entranhas
e orgasmo.
Quero-te:
Por todos os lados
Me segurando firme
e me fazendo voar.
31 de janeiro de 2012
.definição de alguém de verdade.
No meio da tua carne
há verso,
vaidade,
vertigem.
És humana,
mulher,
feita de alma,
poema
e vontade.
Adocicada,
salpicada de fúria
e amor.
rimas soltas,
verídica história:
arte, beleza e valor.
És gente,
pouco comum,
mas gente:
que sangra,
que sofre,
e sobrevive... rá.
26 de janeiro de 2012
.plano B.
Não tenho coordenação motora, e minha letra, enquanto eu ainda era criança, era muito desajeitada e enorme, embora sempre fosse bem redonda. Eram muitos As e Os gordões, que não eram nada parecidos com meu jeitinho delicado de ser. Mas eu aprendi. Daniele, minha amiga desde a quinta série, tinha uma letra linda de menina, uma letra que olhava pra frente. E ela, a Dani, escrevia bonito, como se a caneta deslizasse no papel. E de tanto olhar e gostar, eu aprendi. Aprendi não a ter uma letra como a da Dani, mas a ter uma letra minha, com a leveza dela. Talvez ela tenha me ensinado a ser leve. Será?
Não fui boa no Volei, nem no Handebol. Tinha medo da bola, não acertava um pontinho sequer, e muitas e muitas vezes ficava infeliz com minha imensa capacidade de correr, e pequena capacidade de acertar a bendita bola no lugar certo. Fato é que não levo jeito pra nenhum esporte, até hoje, mas aprendi a correr, aprendi como funciona a coisa toda de a bola acertar no gol, na cesta ou fazer um ponto bonito na equipe adversária. Aprendizados que me fizeram muito boa em brincadeiras bem amadoras como Elefantinho Colorido, Queimada e Taco. Eu me frustrei muitas vezes. E ainda me dói um pouco essa ausência de aptidão para os esportes. Eu gosto tanto, sabe? Mais tarde eu aprendi a andar de bicicleta, um dia, num sítio, e depois nunca mais toquei numa magrela, e penso que hoje, uns 15 anos depois, eu já tenha esquecido completamente como repetir aquela minha aventura do equilíbrio. Uma pena. Mas fica a promessa pra 2012.
Com a minha mãe eu aprendi a fazer doces. Mas o que eu queria aprender mesmo era fazer arroz com feijão, batata, peixe, refogados de legumes... mas minha mãe me deixava com a parte que ela não gostava: untar a forma, fazer chantili, bater pudins no liquidificador e enfeitar tortas. Eu aprendi bem. Mas depois, de tanto tentar, e errar, aprendi também a fazer muito mais do que o arroz, feijão com batatas. E penso que essa foi a primeira aptidão que percebi em mim. Eu sei cozinhar e gosto disso. Eu, se fosse rica, seria uma chef, certamente. teria investido meus últimos anos em viagens pra aprender as peripécias gastronômicas de muitos lugares e teria feito cursos caros e baratos de como temperar canes, cortar nabos e cozinhar feijões brancos. Não deu, mas cá estou. E se nada der certo, abro um restaurante no quintal de casa...
Não parei por aí, claro. Com o passar do tempo eu aprendi a encontrar meio termo nos entraves das minhas tentativas. Não sou boa em muita coisa, muita coisa mesmo, mas há sempre um jeito de compensar com uma opção de "quase lá". Eu não desisto fácil. Aprecio a tentativa e erro. Mas de vez em quando é preciso encarar os fatos: não dá pra ser bom em tudo que se quer. A gente pode aprender muita coisa, quase tudo ou tudo sobre algum assunto específico. Mas é preciso respeitar limitações, e escolher um plano B real, movido pela vontade de alcançar as estrelas, mas sem tirar os pés do chão. Eu adaptei a letra dos meu sonhos à que era capaz de fazer, eu desisti dos esportes e eu aprendi a cozinhar. Ser realista sobre as possibilidades é uma boa dica, acho. Protege contra a inveja, e nos abençoa com a liberdade para orgulharmo-nos com o que sabemos e com que somos.
18 de janeiro de 2012
.hábito, rotina e uma história sobre borboletas.
Somos todos borboletas. Um dia lagarta, e no outro a voar. Somos todos lindas borboletas. Nos transformamos, mas não o tempo todo. De vez em quando estagnamos no mundo, não como seres apáticos e abatidos, mas porque essa mudança total interna, externa, das pequenas coisas do dia a dia realmente nos cansa. E como cansa: repensar cada hora os nossos vícios e manias, os sabores, os companheiros. De vez em quando é bom acomodar-se em asas coloridas e conhecidas, voar pra cantos aprazíveis e já antes descobertos, pra aproveitar um pouco do ócio, dos sons, dos odores, dos sentimentos já decifrados. O que destrói a beleza da vida não é a rotina, mas o descuido e o descaso. A gente, borboleta ou lagarta, sobrevive ao ronco, ao chulé, ao arroz com feijão, ao papai e mamãe, ao livro como presente de aniversário. O que quebra as pernas, e as asas, é o empurrão fora de hora, pedras e farpas atiradas, silêncios fora de hora e fugas repentinas no meio do dia. Um poco de hábito nos torna reais, e muito de rotina nos empurra pra frente. Somos todos dotados da capacidade de transformação, mas somos também capazes de nos acostumar ao que nos faz bem. E manter, não significar inventar todo dia uma grande novidade, mas reparar com delicadeza nas mínimas coisas boas que se mantém, se mantém, se mantém. Somos todos borboletas, e se você enjoar do que há contigo, ao seu lado e ao redor, não culpe o tempo e a rotina. Acontece! De repente você ainda era lagarta e nem tinha percebido.
13 de janeiro de 2012
.fraternal.
Nunca escrevi aqui sobre ele. E nem deveria, acho. O anonimato sempre lhe caiu bem. Ainda que seu jeito de comer nunca tenha sido dos mais discretos. Um dos
meus maiores afetos, uma das minhas maiores saudades cotidianas. Um laço apertado. Meu vínculo preferido. Mesmo sangue. Marrento, teimoso, apaixonado - por ela, pela vida, por mim, pela mutação das coisas. Um ser de quem não aprendi a me despedir. Deve ser o sorriso de menino ou a habilidade de me abraçar, me pegar no colo e me jogar pra cima, ora literalmente, ora com um olhar. Ele que não faz birra, e se esconde de quem lhe quer mal. Fala alto e briga como proteção. É sentimento de mais. E uma parte é meu. Ainda bem, porque uma parte de mim é dele também.
Um texto para afirmar que nada substitui um bom irmão e todas as aventuras vividas juntos...
Há muitas maneiras de amar, e uma delas é Assim: sem esperar nada em troca.
a/c Binho, a quem sempre quero ter motivos pra amar.
meus maiores afetos, uma das minhas maiores saudades cotidianas. Um laço apertado. Meu vínculo preferido. Mesmo sangue. Marrento, teimoso, apaixonado - por ela, pela vida, por mim, pela mutação das coisas. Um ser de quem não aprendi a me despedir. Deve ser o sorriso de menino ou a habilidade de me abraçar, me pegar no colo e me jogar pra cima, ora literalmente, ora com um olhar. Ele que não faz birra, e se esconde de quem lhe quer mal. Fala alto e briga como proteção. É sentimento de mais. E uma parte é meu. Ainda bem, porque uma parte de mim é dele também.
Um texto para afirmar que nada substitui um bom irmão e todas as aventuras vividas juntos...
Há muitas maneiras de amar, e uma delas é Assim: sem esperar nada em troca.
a/c Binho, a quem sempre quero ter motivos pra amar.
11 de janeiro de 2012
.em São Paulo, verão.
Chuvisco
respingando
sobre o rio Pinheiros
sem pausa
sobre a água
escura e plana
É quase bonito.
Enquanto as pessoas
passam
passeiam
não pausam
entre concreto e relógios,
uma paisagem triste.
respingando
sobre o rio Pinheiros
sem pausa
sobre a água
escura e plana
É quase bonito.
Enquanto as pessoas
passam
passeiam
não pausam
entre concreto e relógios,
uma paisagem triste.
3 de janeiro de 2012
.sublimação.
Amor líquido
diluído em mágoa:
Liquefez-me em nada.
Refiz-me gélida,
esperando derreter
gota a gota,
até pudesse
almaquecer
e evaporar.
Não pude.
diluído em mágoa:
Liquefez-me em nada.
Refiz-me gélida,
esperando derreter
gota a gota,
até pudesse
almaquecer
e evaporar.
Não pude.
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